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Diz-se que, para fazer a digestão, o sangue diminui no cérebro, pelo que nos entra sono depois de comer. Mas, isso é efetivamente verdade? O que parece claro é que é algo bastante comum: comemos, e de repente notamos uma leve sensação de cansaço e vontade de dormir. O que de forma comum conhecemos como a sesta. Incluso poderia parecer que estes dois hábitos andariam sempre de mãos dadas.
É esse estado de sonolência, já que parte da nossa energia está a ser utilizada pelo nosso organismo para fazer a digestão. Este processo é igual para todo o mundo, e quem não daria o que fosse por poder fazer uma sesta todos os dias?
Se alguma vez escutou sobre este tema, pode ser que se tenha mencionado uma explicação popular para o sono que nos entra após as refeições: depois de comer, o nosso sistema digestivo deve fazer a digestão. Para isso, o sangue acumula-se no estômago, de modo a poder trabalhar na digestão, e os restantes órgãos recebem menor quantidade de sangue. Assim, atribuía-se esta sensação de cansaço e esta necessidade de dormir ao processo da digestão.
Em tal caso, a explicação científica para este feito é que, segundo parece, esta sonolência sucede devido a que o corpo ativa um mecanismo de “descanso e digestão”. Trata-se de uma espécie de resposta fisiológica, e que faz com que nos relaxemos e tenhamos maior vontade de dormir.
Quando comemos, os níveis de glicose aumentam, e esta faz com que se diminuam as orexinas, umas hormonas criadas no hipotálamo e encarregadas de nos manterem alerta. Outra das causas pode ser o feito de que as refeições de elevado conteúdo de amido (o que vulgarmente conhecemos como hidratos de carbono) fazem aumentar os níveis de melatonina no cérebro, o que nos faz sentir sono (dado que esta é a hormona do sono). O mesmo pode suceder com aqueles alimentos com alto teor em gorduras.
De qualquer maneira, a sesta é algo que costuma agradar a todas as pessoas, mas que nem todos se podem permitir. É que o ritmo frenético de vida ao qual estamos acostumados não nos permite ter tempo para esse pequeno intervalo de descanso depois de comer, e que a muitos de nós nos gostaria.
O que parece claro é que o sono e a alimentação são dois hábitos que costumam andar de mãos dadas. Incluso parece que, da mesma forma que nos entra sono se comemos muito, também sucede o oposto: no caso de termos fome quando nos deitamos, muito provavelmente nos custe mais adormecer.
A parte do sistema nervoso encarregada da fome, da saciedade e da alimentação é o hipotálamo. Os núcleos laterais do hipotálamo atuam como centro da alimentação, porque quando se estimulam excitam um apetite voraz (ao qual se chama hiperfagia). De fato, a ciência já descobriu que, quando se estimula esta região cerebral, isso pode induzir uma saciedade completa. Também já foi possível observar que, quando se destrói o hipotálamo lateral, o desejo de comer deixa de existir.
É bastante curioso saber que é esta mesma, a região do hipotálamo, que também se encarrega da alimentação, a que regula o nosso ritmo circadiano. É que o sono, tal como sucede com outras funções vitais, está regulado pelo nosso “relógio biológico”, ou ritmo circadiano, como dizíamos. Neste sentido, o nosso relógio localizado no hipotálamo é o encarregado de dar o sinal ao resto de estruturas do cérebro para iniciar e finalizar o sono.
Deste modo, parece que existe uma evidente explicação científica para o motivo pelo qual estes dois processos vitais se encontram tão relacionados. Regulados pela mesma parte do cérebro, parece que ter sono depois de comer é uma reação fisiológica bastante habitual no nosso corpo.
Em qualquer caso, cuidado: deitar-se a dormir depois de comer pode ter as suas consequências. Em concreto, as principais consequências de fazer uma sesta depois de ter comido são o refluxo e uma digestão pesada. Ao estarmos deitados, os sucos gástricos vão-se mover na direção da boca do estômago. Isto vai criar uma sensação de desconforto e enfartamento, para além de acidez.
A indigestão produz-se pelo mesmo motivo. Os sucos gástricos não fazem o seu papel, e a gravidade não ajuda a que o bolo passe ao intestino. Assim, a comida vai ficar mais tempo do que o necessário no estômago e pode fermentar, provocando gases ou angústia. No entanto, os especialistas recomendam repousar um pouco depois das refeições.
Agora que já sabe os motivos pelos quais lhe entra sono depois de comer, irá seguir estes conselhos? Não se esqueça que a sua saúde vem sempre em primeiro!

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