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Dormir tapado, mesmo que faça calor. Nunca tirar as meias. Não dormir sem ouvir uma voz amigável pelo rádio. A posição ideal das persianas. Falamos destas manias e dos rituais que cada um tem antes de irmos dormir. Gestos, ações e atos que precisamos para abraçar Morpheus e que, sem eles, a nossa cabeça não vai parar de nos enviar sinais de emergência. E você, em quantos se sente identificado?
Zahara cantou “o meu lado favorito da cama és tu.” Uma letra bonita que choca frontalmente contra a mania de milhões de pessoas que dormem coladas à parede. Pode ser em busca de proteção imaginária (algo possivelmente herdado desde a infância), não cair da cama ou simplesmente pela sensação de frescura que as paredes promovem.
Exceto na fase da infância e casos muito específicos, os adultos geralmente precisam de pouca iluminação para adormecer. De facto, e ao contrário dos países nórdicos ou anglo-saxónicos, aqui até temos mesmo a figura das persianas. Fruto de tudo isto aparecem aquelas pessoas que precisam do máximo de escuridão possível. Tudo desligado, persianas para baixo, pilotos automáticos de TV incluídos (estamos a falar da típica luz vermelha) e apenas a auréola de luz que passa por baixo da porta como algo com que não se pode lutar. E se for preciso, até usam uma máscara para dormir.
Primos irmãos dos anteriores, as pessoas que ao dormir precisam de quietude máxima têm as coisas um pouco mais dificultadas. Os ruídos dos aparelhos tecnológicos, a sua cara-metade ao dormir, os vizinhos, o seu próprio animal de estimação… É quase impossível obter o silêncio de que precisam, mas continuam a tentar. Caso contrário, porquê é que foram inventados os tampões para os ouvidos?
Ao contrário dos amantes do silêncio e da quietude, encontramos outro tipo de dorminhoco. São aquelas pessoas que, quase por puro conducionismo, se habituaram a dormir com a televisão ou o rádio ligados, como uma espécie de empresa que agora não podem evitar. Este tipo de pessoas evoluíram tecnologicamente para 2.0, ao ponto de abraçar a música no Spotify ou os podcasts para poder adormecer.
Habituadas a abraçar a almofada, existem pessoas que precisavam, em algum momento, de até dois modelos para se sentirem à vontade na cama. Com a chegada da idade mais adulta e das relações românticas, trocaram a segunda almofada por abraçar a cara-metade para dormir.
Antes de entrar na sua cabeça, existem tantos rituais como pessoas no mundo. Escovar os dentes, usar creme, beber um copo de leite, levar outro copo de água para pousar na mesa de cabeceira… Existem possibilidades infinitas como pequenos gestos e ações.

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