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Falamos de uma prática tradicional em muitas culturas e que tem vindo a ganhar popularidade nos lares ocidentais, especialmente devido aos benefícios conseguidos com a prática do co-leito. É que, para muitas famílias, proporciona uma experiência íntima e segura, facilitando a lactância e o vínculo afetivo entre pais e bebés. No entanto, também existem estudos que apontam certas desvantagens a ter em conta.
Neste artigo da Maxcolchon vamos analisar tudo o que está relacionado com o co-leito: benefícios, desvantagens, tipos de co-leito, assim como estudos que respaldam todas as vertentes.
O co-leito é a prática na qual os pais e os filhos dormem no mesmo quarto, muito frequentemente com o bebé bastante próximo.
O co-leito significa dormir muito próximo do bebé, e trata-se de uma prática parental popular e bastante comum. Muitas culturas levam a cabo o co-leito: quer seja fazendo com que o bebé durma num berço dentro do mesmo quarto, ou então na mesma cama.
Ainda que na cultura ocidental se tenha enraizado o feito de separar os bebés dos pais, o certo é que muitas famílias no ocidente estão a voltar a praticar o co-leito, particularmente devido ao que se conhece como a parentalidade com apego, uma prática centrada no desenvolvimento de uma estreita relação entre pais e filhos.
São muitos os pais que apostam por partilhar a cama com os seus bebés devido aos seus principais benefícios. Estas são as vantagens do co-leito:
Ainda que já tenhamos visto estudos e correntes de pensamento que indicam os seus benefícios, também é essencial conhecer os possíveis inconvenientes do co-leito, de modo a que possa tomar uma decisão informada e segura enquanto família.
Segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), entre as desvantagens do co-leito encontramos possíveis riscos de asfixia e de aprisionamento. Falamos de estudos que indicam que o risco de asfixia aumenta quando os pais partilham a mesma cama que o bebé, devido à possibilidade de que o bebé fique preso entre o adulto e o colchão ou que termine coberto pelos lençóis.
Uma análise dos casos de morte súbita infantil revelou que uma proporção significativa deles ocorreu em entornos de co-leito, destacando a importância de seguir diretrizes de segurança bastante rigorosas.
O co-leito pode interferir com um descanso adequado, quer dos pais, como do bebé. Os movimentos involuntários, o ronquido, ou ainda as mudanças de temperatura entre as camas partilhadas, podem provocar interrupções frequentes no sono.
É que algumas investigações, como a publicada na National Library of Medicine, indicaram que a proximidade física contínua durante o co-leito pode alterar os ciclos de sono profundo do bebé, afetando assim um descanso ótimo e que é necessário para o seu desenvolvimento.
Em linha com o ponto anterior, entre as desvantagens do co-leito argumenta-se que, em casos nos quais o co-leito se pratica por períodos prolongados, estes acabam por dificultar o desenvolvimento da autonomia nas crianças.
Segundo um estudo do Journal of Child Psychology and Psychiatry, as crianças acostumadas a dormir sozinhas tendem a desenvolver habilidades de auto-consolação mais rápido, porque aprendem a dormir sem assistência. E estamos a falar de uma habilidade que é fundamental para a sua independência emocional à medida que vão crescendo.
A intimidade do casal pode ver-se afetada ao praticar o co-leito. A falta de tempo privado para o casal pode gerar tensão e desafios na relação.
Um estudo intitulado Couple Relationships and Sleep, realizado pela American Psychological Association, demonstra que a falta de espaço pessoal e o constante enfoque nas necessidades da criança podem limitar a oportunidade do casal para manter uma relação saudável e equilibrada.
Caso se decida pelos benefícios que garante o co-leito, estas são as formas mais adequadas de o praticar.
Co-leito na mesma cama
Este tipo de co-leito implica que o bebé durma diretamente na cama com os pais. Ainda que seja uma prática que permite um contato imediato e contínuo, é considerada a menos segura, devido aos riscos de asfixia ou de esmagamento involuntário. Para mitigar estes riscos, algumas famílias optam por utilizar protetores de cama ou barreiras desenhadas especificamente para aumentar a segurança.
Co-leito com berço no mesmo quarto
Com este método, o berço do bebé é colocado no mesmo quarto que o dos pais, mas não na mesma cama. Este tipo de co-leito permite aos pais estarem próximo do bebé para a lactância noturna ou para o tranquilizar caso se desperte, ao mesmo tempo que mantém um espaço seguro para dormir.
Co-leito com cama adjacente
Neste caso é colocado um berço ou uma mini cama colada à cama dos pais, muitas vezes com uma das laterais retirada. Isto maximiza a proximidade e o acesso fácil ao bebé, mas sem partilhar a mesma superfície de sono. Este enfoque é mais recomendado, porque proporciona a proximidade e o acesso do co-leito, mas com menos riscos do que acontece ao partilharem a mesma cama.
O co-leito seguro consiste em dormir com o bebé no mesmo quarto, mas num espaço independente e seguro para ele, como num berço ou numa cama especialmente desenhada para o co-leito. O objetivo é que o bebé descanse de forma segura, sem risco de asfixia ou de ficar preso debaixo de algo.
O Ministério de Saúde, Serviços Sociais e Igualdade recomenda este tipo de co-leito, já que permite a proximidade entre pais e filho, sem os riscos de partilhar a mesma cama.
No documento da AEPED são recolhidas certas recomendações para fomentar os benefícios do co-leito. É que, se vai partilhar cama com o seu bebé, deve seguir estes conselhos para que a prática seja mais segura:
– Não dormir na mesma superfície que o bebé caso se seja fumador ou fumadora: os bebés expostos ao fumo têm um maior risco de sofrer de SMSL.
– Não dormir na mesma superfície que o bebé caso se tenham ingerido drogas ou sedantes, consumido álcool, ou caso se esteja demasiado cansado.
– Se partilha cama com o seu par, colocar o bebé num dos lados, ao invés de o colocar no meio dos dois.
– Não dormir na mesma superfície que o bebé se fumou durante a gravidez. Existem estudos como este que indicam que o risco de sofrer de SMSL se duplicou quando a mãe fumou durante a gravidez.
– Não dormir num sofá ou numa cadeira enquanto se segura no bebé.
– Se o bebé está na cama, assegurar-se de que não existem espaços entre a cama e a parede, o que poderia fazer com que o bebé ficasse preso.
– Assegurar-se de que não existem almofadas, lençóis ou mantas que possam cobrir a cara, a cabeça ou o pescoço do bebé.
Partilhar quarto (e não cama) pode ser a forma mais segura de praticar o co-leito. Em qualquer caso, se acaba por dormir na mesma cama com o bebé, o melhor será assegurar-se de evitar os possíveis perigos que possam surgir. E, caso tenha alguma dúvida, consulte-se com o seu médico ou pediatra!
Tendo como base o documento da AEPED (Associação Espanhola de Pediatria) e a UNICEF, é recomendável não dormir com o bebé nos seguintes casos:
– Bebés prematuros ou com baixo peso ao nascer: os bebés prematuros ou com baixo peso têm um maior risco de síndrome de morte súbita do lactente (SMSL), assim como de asfixia.
– Bebés com problemas respiratórios: a presença de um bebé com problemas respiratórios na mesma cama com adultos pode dificultar a sua respiração e aumentar o risco de apneia.
– Pais que fumam ou que consomem álcool ou drogas: o consumo de tabaco, álcool ou drogas pode aumentar o risco de SMSL e gerar um entorno inseguro para o bebé.
– Pais com problemas de saúde que possam colocar em risco o bebé: se os pais têm alguma condição médica que pode dificultar a sua capacidade de resposta, é importante evitar dormir com o bebé.
É importante recordar também que a AAP (Academia Americana de Pediatria) recomenda não dormir com o bebé na mesma cama. Realmente, apostam por partilhar o quarto, de modo a assegurar a sua segurança e reduzir o risco de SMSL.
Se tem dúvidas sobre o co-leito, consulte-se com o seu pediatra ou com um profissional de saúde.
Estas são as perguntas principais que os pais e as mães se fazem na hora de avaliar os benefícios e desvantagens do co-leito.
Não existe uma idade específica para deixar de praticar o co-leito. A decisão depende das necessidades e das preferências da família. É importante considerar a idade da criança, o seu desenvolvimento, a comodidade dos pais, assim como as condições de segurança. No entanto, existem correntes de pensamento que indicam que não se deveria prolongar para lá dos 3 anos de idade do menor.
Como já pudemos verificar neste artigo, o co-leito é seguro caso se tomem as medidas de segurança adequadas. É fundamental que o bebé durma numa superfície plana e firme, que o quarto esteja bem ventilado, e que se evitem os fatores de risco, como o consumo de álcool ou de drogas.
Já pudemos perceber que existem benefícios e desvantagens do co-leito. Entre eles, os estudos que assinalam que pode afetar a independência da criança, especialmente caso se prolongue por muito tempo.
O co-leito pode afetar a intimidade do casal, criando tensão na relação. É importante que o casal discuta as suas necessidades e expetativas em relação ao co-leito, de modo a poderem manter uma relação harmoniosa.
O co-leito pode ter benefícios para os bebés, mas também traz certos riscos, especialmente quando a idade se prolonga para lá dos 3 anos. A decisão de praticar o co-leito é pessoal e depende das circunstâncias da família.
Como já pudemos ver, não existe um consenso definitivo sobre a idade específica de terminar com o co-leito. A decisão de o praticar depende das necessidades e das preferências da família, mas existem mais especialistas que indicam que se deveria fazer até aos 3 anos.
A decisão de se uma criança de 9 anos deve dormir com a sua mãe depende da dinâmica familiar e das razões por trás do co-leito. No entanto, muitos especialistas em desenvolvimento infantil sugerem que a esta idade é importante fomentar a independência da criança.
Aos 13 anos é recomendável que os adolescentes durmam sós, de modo a fomentar a sua independência e privacidade, e que são vitais para o seu desenvolvimento.

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